Senado

Aliado de Bolsonaro, senador Ciro Nogueira confirmado como titular na CPI da Covid

Uso de verbas federais transferidas a estados e municípios também será investigado pela CPI

Bolsonaro e Ciro Nogueira numa conversa reservada na Serra da Capivara

Bolsonaro e Ciro Nogueira numa conversa reservada na Serra da Capivara Foto: Assessoria parlamentar

O senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e aliado do presidente Jair Bolsonaro, vai integrar a Comissão  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. Na tarde desta quinta-feira (15), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou os nomes que vão compor a CPI da Covid, para investigar a condução do combate à pandemia pelo governo federal e o uso de verbas federais transferidas a estados e municípios.

Essa última parte do objeto da CPI, relacionada às verbas repassadas pelo governo federal para estados e municípios foi proposta pelos aliados do presidente. A oposição a Bolsonaro entendeu a manobra como tentativa de desviar o foco das investigações, que vão apurar se houve omissão ou negligência no enfrentamento da Covid-19.

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado


Os indicados são os seguintes senadores: 
TITULARES

Eduardo Braga (MDB-AM)

 Renan Calheiros (MDB-AL)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Omar Aziz (PSD-AM)

Otto Alencar (PSD-BA)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Eduardo Girão (Podemos-CE)

Marcos Rogério (DEM-RO)

Jorginho Mello (PL-SC)

Humberto Costa (PT-PE)

 Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

SUPLENTES

Jader Barbalho (MDB-PA)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Angelo Coronel (PSD-BA)

Marcos do Val (Podemos-ES)

Zequinha Marinho (PSC-PA)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Alessandro Vieira (Cidadania-SE)


A partir de agora, a comissão já pode ser instalada — na primeira reunião devem ser eleitos o presidente, o vice-presidente e o relator da CPI. O senador Otto Alencar, como membro mais idoso entre os titulares da comissão, vai comandar a instalação e a eleição, que acontecerão em encontro presencial. A data da instalação ainda não foi definida. Pacheco adiantou que está discutindo o assunto com a Secretaria-Geral da Mesa do Senado e que em breve levará as opções para os membros da comissão.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de criação da CPI (RQS 1.371/2021), defendeu que os trabalhos comecem já na próxima quinta-feira (22).

— Consultei boa parte dos membros da comissão. Eles estão prontos para virem a Brasília assim que forem chamados. A possibilidade de adiamento já foi vencida pelos fatos. Creio que todos têm essa convicção.

“Medida sanitária”

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta, Randolfe avaliou que a CPI será uma “medida sanitária” contra a pandemia. Ele afirmou que, ao jogar luz sobre as políticas de saúde do país, a comissão poderá impedir o “aprofundamento do morticínio”. O Brasil é o líder mundial de novas contaminações e mortes por covid-19.

Para o senador, a comissão não se converterá em meio de perseguição pessoal contra ninguém, e poderá oferecer subsídios para providências políticas e judiciais.

— Nenhuma CPI cassou mandatos, prendeu ou fez impeachment de ninguém. Esse não é o papel dela. As conclusões da CPI é que podem levar a isso. Não tem alvo personalizado. O alvo é o fato: como chegamos até aqui?

Randolfe defendeu que as primeiras reuniões da comissão se concentrem em audiências com médicos e cientistas que possam explicar por que a situação do Brasil se agravou, e quais ações e omissões do poder público contribuíram para isso.

— Estamos em um atoleiro sanitário porque não foi ouvida a ciência.

A partir daí, disse ele, será possível decidir quais autoridades serão chamadas para prestar depoimento e dar explicações. Ele antecipou que será “inevitável” a presença dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Também defendeu a inquirição de autoridades do estado do Amazonas, cuja situação, no início do ano, motivou a busca de assinaturas pela CPI.

Fonte: Agência Senado

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