Poderes

PSol, PSTU e UP decidem não apoiar candidato no segundo turno em Teresina

PSol e PSTU recomendam votos nulos aos eleitores no dia 29 de novembro

Gervásio Santos orientou voto nulo no segundo turno

Gervásio Santos orientou voto nulo no segundo turno Foto: Reprodução/Facebook

O Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e Unidade Popular (UP) divulgaram notas anunciando que não apoiam nenhum dos candidatos à Prefeitura de Teresina no segundo turno - Dr. Pessoa (MDB) e Kleber Montezuma (PSDB). PSOL e PSTU ainda sugerem o voto nulo no dia 29 de novembro.

Candidato do PSTU no primeiro turno, Gervásio Santos, irmão de Kleber Montezuma, tem repetido que os dois candidatos no segundo turno são "farinha do mesmo saco". Por isso recomenda o voto nulo no dia 29. "Kleber (PSDB) E Dr. Pessoa (MDB) são farinha do mesmo saco e representam esse projeto de ataque aos trabalhadores. São candidaturas aliadas ao governo Bolsonaro e irão reproduzir, caso eleitos, esses mesmos ataques à nossa classe em âmbito municipal. Por isso, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, PSTU, em Teresina, chama o voto nulo no segundo turno das eleições. Nem Kleber Nem Dr. Pessoa. Vote nulo!", defende Gervásio Santos.

“As eleições funcionam como uma espécie de espelho distorcido da realidade e da luta de classes. São um terreno no qual a força real e coletiva da classe trabalhadora e dos setores populares e oprimidos organizados e mobilizados contra o capital é menor. Reduz-se ou se dissolve na ação individual do voto, à mercê do poder econômico, da manipulação da mídia e do controle bilionário dos capitalistas”, acrescenta o candidato do PSTU derrotado nas urnas no domingo passado.

"Nota do PSTU

"Enfrentando a regra eleitoral antidemocrática e o poder econômico, o PSTU apresentou uma alternativa socialista para Teresina. Fizemos uma campanha sem tempo de TV e rádio, e excluídos dos debates. As eleições funcionam como uma espécie de espelho distorcido da realidade e da luta de classes. São um terreno no qual a força real e coletiva da classe trabalhadora e dos setores populares e oprimidos organizados e mobilizados contra o capital é menor. Reduz-se ou se dissolve na ação individual do voto, à mercê do poder econômico, da manipulação da mídia e do controle bilionário dos capitalistas. Isso não significa que os resultados não sejam importantes, porque, mesmo que de forma distorcida, as eleições refletem a realidade, de certa maneira, e incidem sobre ela. Contudo, não têm dez por cento da importância da luta e da ação direta da nossa classe, único caminho que pode levar a mudanças profundas e à esperança de uma nova sociedade.

Embora as eleições sejam um terreno antidemocrático e que o poder econômico predomina, o PSTU, de maneira geral, não pode furtar-se a participar delas ou abster-se de intervir no processo eleitoral para apresentar um projeto socialista, revolucionário e de independência de classe, buscando construir essa alternativa. Mesmo nas condições mais adversas possíveis como ocorreu em 2020.

Em Teresina, o PSTU apresentou uma candidatura defendendo uma alternativa da classe trabalhadora, operária socialista e revolucionária diante da crise do capitalismo. Voltado para os trabalhadores e setores marginalizados e oprimidos a nossa classe na periferia. Dialogamos com a pauta das mulheres, dos negros e do movimento LGBT. Foi uma campanha realizada na periferia, nas fábricas e nas ocupações urbanas, bem como junto os servidores públicos da saúde e educação, aos transportes coletivos dentre outros.

Agradecemos os votos na nossa candidatura que foram postas no nosso programa socialista e revolucionário. O PSTU sai dessa campanha mais convicto de que a democracia dos ricos não serve à classe trabalhadora e da necessidade de defesa do socialismo num momento em que o sistema capitalista oferece apenas a barbárie aos trabalhadores e ao povo pobre.

Terminado o primeiro turno das eleições, em Teresina, as opções que saíram para o segundo turno não representam e, nem tampouco, ajudam a nossa classe numa saída para a crise econômica capitalista e a crise sanitária que vivemos com consequências graves para a classe trabalhadora e o povo pobre.

Tanto Bolsonaro como os demais governos (inclusive os eleitos agora nos municípios) e o Congresso Nacional virão para cima da nossa classe, dando continuidade à guerra social contra os direitos, impondo a semiescravidão e a entrega do país. Reforma administrativa, privatizações, despejos nas ocupações, continuidade da alta dos preços dos alimentos e gás de cozinha, aumento das taxas de água e energia, dos combustíveis são alguns dos ataques que virão em breve. O fim do auxílio emergencial, por sua vez, vai aprofundar a pobreza e a miséria. E o país continuará a ser recolonizado à custa do rebaixamento da condição de vida da classe trabalhadora e da maioria do povo. Com isso aumentará a superexploração dos trabalhadores e jovens, sobretudo das mulheres e da população Negra.

Kleber (PSDB) E Dr. Pessoa (MDB) são farinha do mesmo saco e representam esse projeto de ataque aos trabalhadores. São candidaturas aliadas ao governo Bolsonaro e irão reproduzir, caso eleitos, esses mesmos ataques à nossa classe em âmbito municipal. Por isso, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, PSTU, em Teresina, chama o VOTO NULO no segundo turno das eleições. Nem Kleber Nem Dr. Pessoa. Vote nulo!

A tarefa imediata e fundamental colocada para a classe neste momento é fortalecer sua organização e construir a resistência aos ataques, assim como lutar para colocar para fora Bolsonaro e Mourão, defender a Amazônia e os nossos direitos. Lutamos pela perspectiva de superação do capitalismo para a qual levamos à frente a construção de uma alternativa revolucionária e socialista. Uma alternativa que não repita a velha conciliação de classes do PT, de governo em aliança com a burguesia, mas que coloque a necessidade de que os trabalhadores e o povo pobre, negro e oprimido governem com os Conselhos Populares".

Nota do PSOL

"O PSOL é um partido forjado nas lutas, sua trajetória tem sido de uma atuação destacada, em defesa dos direitos sociais, por uma educação pública, gratuita e de qualidade, por Saúde garantida universalmente, pelos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, no enfrentamento às opressões, na luta contra as privatizações, entre outras lutas que marcaram os últimos 16 anos de nossa existência, e que atravessam o nosso dia a dia de construção de um projeto Socialista e para o Bem Viver no Brasil, no Piauí, e em Teresina.

Seguindo esses princípios, apresentamos uma proposta para Teresina no intuito de superar o atual modelo de cidade - governada para os mais ricos desde sempre, que nega o direito à Teresina para a maioria da população. Nosso projeto político objetiva uma gestão democrática, compartilhada, participativa, que inverte as prioridades da cidade. Representado por Lucineide e Cyntia nas urnas, foi aprovado por 8.283 eleitores no dia 15 de novembro, expressando um crescimento de 62% da votação do PSOL em relação ao último pleito, um resultado que muito nos orgulha, e que mostra que há um caminho para o crescimento do nosso partido enquanto alternativa de esquerda na capital.

Em Agosto, o PSOL Teresina afirmou em nota: “Estamos diante de uma dupla tarefa nas eleições de 2020: primeiro, apresentar no âmbito local uma saída à esquerda para a crise que vivemos; segundo, conter o avanço das forças de extrema-direita e seus aliados em Teresina. Para isso, colocamos o fortalecimento do PSOL como uma das tarefas prioritárias a serem cumpridas. Sem um instrumento partidário capaz de manter vivas as bandeiras da transformação radical da sociedade, o apelo pela unidade torna-se irrelevante. Nesse sentido, optamos por lançar uma pré-candidatura própria, com Lucineide Barros, apresentando um projeto coletivo para Teresina [...] que expresse a resistência popular à política neoliberal e anti-povo de Firmino e dos 30 anos de PSDB à frente da prefeitura.”

Partindo dessa leitura sobre o contexto político local, é possível afirmar que demos passos importantes para o fortalecimento do PSOL, mas uma reorganização da esquerda ainda não se consolidou, e portanto o resultado das eleições foi favorável a um setor da direita tradicional, que levou a maioria da população teresinense a votar, seja pelo abuso do poder econômico contra os eleitores, agravado pelo contexto de miséria gerado pela pandemia, seja pelo aparelhamento da prefeitura. Pelos mesmos motivos, praticamente não houve renovação para a Câmara Municipal, apesar de 41% dos(as) eleitos(as) serem vereadores(as) novos(as), fazem parte de velhos esquemas. Os três negros não somam para as lutas antirracistas e tampouco as cinco mulheres somam para a luta antimachista e feminista. O cenário é bastante desfavorável à construção de um projeto de esquerda Socialista e para o Bem Viver.

O setor vitorioso é conhecido como “Centrão”, representado tanto na coligação de Dr. Pessoa (MDB / PSB / PRTB) quanto na de Kleber Montezuma (PSDB / PP / PSL / AVANTE / PDT / DEM / PMB / PV / PODE). São agrupamentos conservadores que se movem principalmente por práticas clientelistas e fisiológicas, trocam interesses a partir do que gera mais apoios políticos e inserção na máquina pública para beneficiar interesses particulares, e por isso já vimos se aliarem a setores que vão da extrema direita à centro esquerda. Hoje, o Centrão é o principal aliado do Governo Bolsonaro no Congresso Nacional. Apesar disso, nenhuma dessas duas candidaturas fez uma campanha a partir de uma linguagem muito direta de aproximação com o fenômeno do Bolsonarismo (provavelmente por medo de associar a impopularidade de Bolsonaro em Teresina a si), o que reflete a dinâmica nacional de fortalecimento do Centrão nas eleições de 2020, e de dependência cada vez maior por parte do Governo Federal a esse campo da política.

O segundo turno dessas eleições é um verdadeiro circo de horrores. Há hoje, por parte de muitos dos eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno, uma preocupação em analisar essas duas candidaturas que vão ao segundo turno a partir de alguns critérios: qual delas é a “menos pior”, qual delas é “menos bolsonarista”, qual delas é “mais preparada para organizar a gestão do executivo municipal”. Buscar identificar o que diferencia politicamente duas candidaturas é importante, mas acreditamos que essa busca não está sendo pautada pelo que de fato impulsiona essas campanhas.

Para tirar do caminho um dos primeiros pontos que gera dúvida no eleitorado: tanto o PSDB de Montezuma, através do seu ex-candidato a governador, quanto o Dr. Pessoa, em 2018, apoiaram a candidatura de Bolsonaro no segundo turno. Dito isso, a maior representação de aliança com Bolsonaro atualmente no Piauí é Ciro Nogueira, do Progressistas, ex-aliado de Wellington Dias, e hoje o principal articulador da aliança entre Bolsonaro e o Centrão, que já pediu para ser chamado de “05”, em referência aos filhos do Presidente. O Progressistas foi responsável por financiar 27% dos recursos de campanha de Kleber (890.000,00 reais, segundo o TSE).

Enquanto isso, Dr. Pessoa, médico que afirma que não “fechará” Teresina em possível segunda onda da COVID-19, e que vestiu camiseta do Bolsonaro em 2018, recebeu nos últimos dias o apoio de figuras públicas do PT, em especial de Wellington Dias. As negociatas da velha política do Piauí escancaram o óbvio: o segundo turno em Teresina se tornou uma disputa para definir que rumos tomará a eleição para Governador em 2022.

Nenhuma das duas candidaturas que disputam o segundo turno são alternativas, sequer do ponto de vista tático, pois as duas se encontram no horizonte próximo, seja na base bolsonarista, seja na lógica ultra neoliberal da retirada de direitos e de implementação da reforma administrativa que já deve ser aprovada.

Não compraremos a narrativa do “menos pior” influenciada pela propaganda eleitoral de um candidato “experiente, preparado, responsável, atencioso aos problemas da cidade, gestor da educação”, pois do ponto de vista de quem foi expulso pelo PSDB de sua moradia na Avenida Boa Esperança por causa das obras do programa Lagoas do Norte, dos professores da rede municipal que estão em greve há 253 dias e sofrem perseguição com os contracheques zerados, da juventude negra que sofre com a repressão da Guarda Municipal, de quem sofre esperando nas paradas de ônibus e quando se manifesta é recebido com portas fechadas e policiais armados, e tantos outros Teresinenses, ouvir que esse é o “menos pior” será algo absurdo. Também não compraremos a narrativa de um candidato “preocupado com o que o povo sente, que se parece com o povo, que tá aí pra mudar” porque conhecemos o projeto e as figuras que estão por trás do perfil populista, porque vivemos e lutamos contra os governos do MDB/PSB no Piauí.

Como partido, o PSOL afirma aqui o nosso lado, o lado que proclamamos o tempo todo durante a campanha. Não podemos nos confundir, nem colaborar para que haja ainda mais despolitização. Devemos votar nulo. Esse posicionamento vem junto com um plano de trabalho para retornarmos a todos os lugares por onde andamos, onde conversamos durante a campanha. Nosso convite é para que as pessoas se organizem politicamente, e oferecemos o nosso apoio, considerando os dias difíceis que serão enfrentados, porque não podemos resolver nossos problemas apenas num dia de eleição a cada quatro anos, escolhendo um “mal menor” ou “mal necessário”.

Deixemos o personalismo da figuras que se apresentam como candidatas e façamos a leitura do projeto: é o mesmo. Entre duas direitas iguais, podemos dizer não, e optar pela construção e fortalecimento de uma alternativa de esquerda nos nossos bairros, nos locais de trabalho ou de estudo. Nossa base programática não pode deixar de se pautar em um princípio: o resgate da independência política dos trabalhadores e excluídos. Nossas alianças para construir um projeto alternativo buscarão a unidade entre todos os setores do povo trabalhador, e isso só pode ser feito se nos dispusermos ao trabalho de base, com a juventude, mulheres, negros e negras, LGBTQIA+, enfim, não se trata de sairmos de onde estamos, mas de ir além de onde estamos para dialogar com quem ainda não dialogamos. A tarefa de um partido político e de sua militância organizada não se encerra nas urnas.

Quem escolhe votar nulo, escolhe com a razão do seu convencimento. Nosso voto nulo não é o voto do lugar confortável da história, pelo contrário. É o voto de quem sofre a repressão e as violências causadas pelo poder público municipal aos que lutam, e que vai continuar na luta independente de quem tomar posse em 1º de Janeiro de 2021. Enquanto partido, nossa tarefa será construir alternativa para essa falsa polarização e luta social contra os desmantelos feitos por quem for eleito - e esse sim, o eleito, é que será o pior".

Nota do UP

"Nós que construímos a Unidade Popular agradecemos pelos votos que os Teresinense deram aos nossos candidatos.

As eleições no Brasil não são, de fato, democráticas. Afirmamos isso durante todo o processo de pré-campanha e campanha, que durou um total de quatro meses e meio.

A Unidade Popular, por ser o partido mais recente do Brasil, com apenas 11 meses de registro, teve negado o tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio, assim como a participação nos debates nos grandes veículos de comunicação, o que faz muita falta a qualquer candidatura a prefeito.

Mesmo assim, com o megafone e um caixote realizamos uma combativa campanha de rua, nas praças, nos bairros populares e no meio da classe trabalhadora. Fazendo as denúncias dos graves problemas da cidade e apresentando as propostas da UP.

A Unidade Popular sai destas eleições como um partido conhecido e respeitado por uma parcela significativa da população de Teresina, um partido feito por militantes que não abrem mão de seus princípios e que lutam pelo poder popular e pelo socialismo.

Convidamos a você para conhecer a Unidade Popular – UP, filie-se e venha lutar junto conosco.

Tome partido! Filie-se a UP!"

Fonte: Assessorias

Dê sua opinião: