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Desembargadora que determinou investigação na Sesapi é amiga dos Bolsonaro

Assessores do governo Wellington Dias estranharam essa investigação já que, segundo eles, tudo foi realizado com transparência

A desembargadora é chamada carinhosamente por Flávio Bolsonaro de Tia Carminha

A desembargadora é chamada carinhosamente por Flávio Bolsonaro de Tia Carminha

A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, que autorizou a operação que investiga desvio de recursos que seriam destinados ao combate ao novo coronavírus na secretaria estadual da Saúde é amiga pessoal da família Bolsonaro. Ela é próxima, principalmente, do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente da República. Flávio Bolsonaro a chama de tia Carminha. A desembargadora federal já foi acusada de tráfico de influência em vários casos nos anos de 2017 e 2018.

Essa proximidade com a família rendeu a indicação da filha dela, a advogada Lenise Prado, como conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por Jair Bolsonaro, em 2019.

Com Wellington Dias sendo protagonista no país na luta pela vacina, era de se esperar que o processo fosse direcionado para a desembargadora amiga de Bolsonaro para garantia do "sucesso" da operação.

Em setembro de 2017 quando a revista Veja divulgou que os empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, tentaram comprar decisões judiciais em tribunais superiores em Brasília. Para isso, contavam com a advogada Renata Gerusa Prado de Araújo e com a mãe dela, a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal. A denuncia chegou à Procuradoria-Geral da República com documentos de áudios, emails e mensagens de WhatsApp. As conversas eram mantidas entre o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, e a própria Renata. Nos diálogos, ambos combinavam estratégias para obter decisões favoráveis aos empresários. As mensagens citavam pagamentos em espécie e tráfico de influência.

A operação deflagrada nesta terça-feira (12) na Secretaria da Saúde, e batizada de “Campanile”, investiga contratos suspeitos da Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi). Em nota, o órgão informou que colabora com investigação da PF e garante que “todos os procedimentos contratuais e licitatórios obedecem, rigorosamente, o que prevê a lei” e atua com transparência.

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