Vereador diz que relatório mostra que não havia motivo para ação truculenta da PM

Músicos foram revistados e filmados por militares ao fazer live para ajudar suas famílias

Major Paulo Roberto denuncia truculência de Policiais Militares durante fiscalização

Major Paulo Roberto denuncia truculência de Policiais Militares durante fiscalização

O Relatório da Operação Integrada, realizada no sábado passado (4), por policiais militares do 9º Batalhão da Polícia Militar para apurar suposta perturbação do sossego alheio nos bairros Marques e no Mocambinho, na zona Norte de Teresina, confirmou a versão dos músicos que participavam de uma live, que era transmitida via rede social do galpão do depósito de bebidas Marquês, de propriedade do vereador Major Paulo Roberto. Não havia aglomeração no local, apenas a transmissão de um evento com a finalidade de ajudar as famílias dos músicos.

Segundo contaram os músicos, uma primeira viatura foi ao local e viu que não havia motivo para parar a live. O som não estava alto, não havia aglomeração e nem bebida alcoólica. Os PMs foram embora e a live continuou. Pouco tempo depois uma outra viatura com três policiais militares chegou no depósito. Depois de entrar no local, os PMs colocaram todos contra a parede e fizeram uma revista. Antes de mandar acabar com a live, os PMs apreenderam o equipamento de som - que foi devolvido ao dono (músico) na segunda-feira (7).

O documento do 9º BPM atesta “negativo” para aglomeração na ocorrência do Marques. As pessoas que estavam no depósito de bebidas eram músicos e técnicos que transmitiam a live para angariar cestas básicas, alimentos e doações para os músicos de Teresina, que passam necessidade sem ajuda do poder público. A live era realizada pelo promotor de evento conhecido como Chaparral, que também passou pelo "baculejo", como ele se referiu à revista.

Chaparral lembra que a primeira viatura foi até o local e não constatou o fato relatado na denúncia. Os policiais retornaram a viatura e seguiram em ronda. Momentos depois chegou outra viatura com três policiais militares.  Os PMs entraram no depósito sem o consentimento dos proprietários, que não estavam no local.  Os PMS já dentro do galpão mandaram os músicos parar o som. O vereador foi avisado e seguiu para o deposito.


Mão na parede

Chaparral e os músicos que participaram da Live foram colocados com as mãos na parede e revistados. “Um exagero”, segundo a opinião dos presentes, que tentaram gravar ação policial com o celular, mas foram ameaçados de prisão se o fizesse.

Enquanto um PM fazia revista nos presentes, um outro policial gravar tudo com o celular. Foi justamente neste momento que o vereador Paulo Roberto chegou ao deposito.  O PM filmou o vereador e todas as pessoas que estavam no depósito. As imagens foram postadas nas redes sociais e divulgadas na mídia. 

Depois da revista, os policiais apreenderam o equipamento de som que era utilizado para gravação da live e foram embora.

Choro de revolta 

Chaparral, ainda emocionado, gravou um vídeo contando a truculência policial. O promotor de evento chorou ao lembrar que ali não havia aglomeração, bebida alcoólica, perturbação de ninguém. “Fui tratado como bandido. Eu, os músicos que ali estavam, buscavam conseguir cestas básicas de alimentos e até doação em dinheiro para atender suas famílias, as famílias de amigos que passam até fome”.

De posse do relatório da operação no seu depósito de bebida, o vereador Major Paulo Roberto afirmou que a versão dada pelas vítimas de que houve abuso de autoridade truculência policial e apreensão ilegal de equipamento foi comprovada.

“O documento expedido pelo 9º Batalhão da Polícia Militar é muito claro”, avalia  Paulo Roberto, ao reclamar da versão contada por alguns portais de notícias e por jornalistas em suas colunas. “Ninguém sabe com que objetivo, já que a live nem minha era e eu nem presente estava no local no mento da abordagem. Cheguei depois. E reclamei da ação exagerada contra os músicos, que são trabalhadores lutando para conseguir sobreviver”.   

Vai ajudar de novo

O vereador afirmou que cedeu, e vai ceder tantas vezes for solicitado, o espaço do depósito de bebida, e até a sua residência, “para ajudar a quem passa por necessidade neste momento de pandemia”. O vereador vai á Corregedoria de Polícia Militar para solicitar a investigação dos fatos e as providências cabíveis,  de modo a evitar que outras pessoas passem pelo constrangimento sofrido pelos músicos.

Fonte: Assessoria parlamentar

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