Municípios

Decreto é desrespeitado e candidatos prometem fazer aglomerações

Na região de Valença o número de casos de Covid-19 tem aumentado e os eventos políticos aumentam

O prefeito de Aroazes, Tomé Portela, ficou internado com Covid-19 e seu grupo fará uma carreata sábado

O prefeito de Aroazes, Tomé Portela, ficou internado com Covid-19 e seu grupo fará uma carreata sábado

O aumento no número de casos de infectados pelo novo coronavírus motivou o governador do Estado, Wellington Dias, a decretar uma série de medidas para evitar a proliferação da doença no Piauí, entre elas, a proibição de aglomerações em locais públicos. Em meio às campanhas políticas para a sucessão municipal, a determinação vem sendo desrespeitada por parte de alguns candidatos.

Na região de Valença, em reunião, os prefeitos municipais acordaram em suspender as carreatas e as reuniões que colocassem em risco a saúde da população. No entanto, os municípios de Valença e de Aroazes não aderiram ao acordo. O incoerente é que Valença, polo de saúde da microrregião, encontra-se com 100% dos leitos para covid-19 ocupados.

Em Aroazes, apesar do decreto governamental, o candidato apoiado pela atual gestão promete realizar uma movimentada carreata no próximo dia 31. No último boletim divulgado, chegava a 109 pessoas. Somente na última semana,  houve um aumento de 20 novos casos. O próprio prefeito, Tomé Portela, passou 60 dias internado, e teve graves complicações decorrentes da covid e precisou, inclusive, ser intubado. Apesar disso, foi necessária uma decisão judicial para que o vice-prefeito pudesse assumir a vaga.

Em outras regiões, o Ministério Público começou a se manifestar contrário às manifestações públicas. A 1ª Promotoria de Justiça de Alto Longá, por exemplo,  aceitou a ação civil pública contra os candidatos a prefeito do município de Santo Antônio, que "não poderão realizar ou organizar eventos que ocasionem aglomerações de pessoas, como comícios, concentrações preparatórias, caminhadas, carreatas, reuniões e manifestações públicas afins sob pena de multa de até R$ 100 mil".

O Piauí já contabiliza mais de 2.300 mortes pela doença, ainda assim, os números parecem não ser suficientes para conscientizar os futuros gestores sobre a importância de uma campanha política que respeite o direito à saúde que todo cidadão tem. Ao eleitor, cabe alertar que esta é uma ótima oportunidade para a avaliação do compromisso do candidato com a saúde pública. E o ditado "é melhor prevenir do que remediar" é muitíssimo adequado para o momento.

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