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Mulheres protestam contra feminicídios e denunciam que 11 mil processos estão parados

"São mais de 11 mil processos parados. E isso contribui para a impunidade", denuncia a ex-vereadora Rosário Bezerra

Movimento contra a morosidade da Justiça e contra o feminicídio em Teresina

Movimento contra a morosidade da Justiça e contra o feminicídio em Teresina Foto: Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio

No dia em que a Justiça condenou o ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto a 37 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da estudante de arquitetura Iarla Lima Barbosa, na madrugada do dia 19 de junho de 2017, representantes de entidades que lutam pelo fim da violência contra a mulher no Piauí, no Brasil e no mundo foram protestar em frente do Tribunal de Justiça e ao Fórum Criminal, onde aconteceu o julgamento do feminicídio contra a universitária de 24 anos.

Além de denunciar a morosidade do Judiciário, onde "dormem" 11 mil processos relacionados à violência contra mulheres, as manifestantes foram pediar aos homens "que não matem mais mulheres".
A ex-vereadora Rosário Bezerra, presente ao protesto, denunciou que existem ações paradas a mais de dez anos. "Nesse ato estamos cobrar da Justiça a resolução dos processos de feminicídios. São mais de 11 mil processos parados. E isso contribui para a impunidade. Gostaria muito de morar em um estado onde o índice de feminicídio fosse zero ou o menor do país", discursou Rosário Bezerra.




"Infelizmente, o que tem se constatado é que a maioria das vítimas são mulheres negras. Elas são grande parte da população, mas que, às vezes, pela dependência econômica, pelos filhos, se submetem a situações de violência. A maioria das mulheres mortas são mulheres negras”, lamentou a ex-vereadora.

"Nossas vidas importam. É preciso julgar os processos, é preciso condenar os criminosos, é preciso dar dignidade pelo menos às famílias das vítimas que estão vivas e que se sentem revoltadas, se sentem desprezadas pelo Estado. O nosso grito ecoando para toda sociedade é: parem de nos matar. Quem mata uma mulher, mata a humanidade”, completou, a ex-secretária de Estado, Sônia Terra.


DUAS MULHERES MORTAS POR MÊS - A servidora pública Madalena Nunes, que integra a Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio, advertiu que duas mulheres morreram vítimas de Feminicídio por mês no Piauí.

"Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança e só mostram o quanto estamos vulnerárias no estado”, lamentou. Madalena também questionou os números sobre a violência, que são muito maiores. Casos de feminicídios são investigados como homicídio.

"Essa mulher sai da estatística de feminicídio. No Piauí, tivemos um caso muito concreto. Renata desapareceu e a linha de investigação foi de desaparecimento. Depois, com muita luta, a gente conseguiu descobrir que ela foi vítima de feminicídio".
Um documento foi entregue no Tribunal de Justiça do Piauí e no Ministério Público do Estado propondo uma reunião com os desembargadores e procuradores e promotores de Justiça.


NÃO HÁ PROCESSO PARADO - O juiz titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher em Teresina, José Olindo Barbosa, negou que haja processo parado na Justiça, mas defendeu a criação de mais Varas para agilizar os processos. Hoje, apenas três juízes atuam na Vara da Mulher.

“Os processos não estão parados, estão tramitando. Há uma demanda muito grande e os três juízes não conseguem acompanhar a demanda. Mesmo que os juízes trabalhassem 24 horas não dariam conta de tantos processos”, admitiu o magistrado.

Fonte: Paulo Pincel

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