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Estudante chora a morte de toda a família e protesta contra genocídio no Brasil

Maria Clara sepultou o pai na quarta-feira (9) e nesta quinta celebrou o 7º dia da mãe

Maria Clara com a mãe, Noélia Maranhão

Maria Clara com a mãe, Noélia Maranhão Foto: Arquivo pessoal

A estudante de educação física e empresária Maria Clara Maranhão, 22 anos, viveu nas duas últimas semanas os piores dias de sua vida. A Covid-19, que o presidente da República chama de "gripezinha", matou a irmã, Bianca; a mãe, Noélia, e o pai, Manoel Honorato Nascimento Filho. Como outras milhares de Marias, Clara chora sozinha a dor deperder toda a família para o coronavírus, vítimas da negligência do governo Bolsonaro em enfrentar a pandemia.

Maria Clara sepultou o pai na quarta-feira (9) e nesta quinta celebrou o 7º dia da mãe, a professora Noélia Maranhão. A irmã, Bianca, e 24 anos, foi a primeira da família a sucumbir. "Eles agora estão muito melhor do que a gente aqui, que está vivendo esse caos, com esse vírus. Já são quase meio milhão de vidas levadas, sendo que a vacina já existe e o nosso presidente não faz absolutamente nada. Hoje mais do que nunca eu quero gritar fora Bolsonaro. Ele recusou 53 e-mails de proposta de vacina. Minha mãe, minha irmã e meu pai poderiam ter tomado vacina há muito tempo”, chorou Maria Clara, sob aplausos dos presentes à homenagem da filha à dedicação de duas décadas da Professora Noélia à Escola Municipal Simões Filho, em Teresina.

Ao falar com os jornalistas, Maria Clara lembrou o drama familiar, que começou há um mês. “Na terça-feira (4/5) ele (o pai) já começou a sentir os sintomas e eu também. No dia 11, minha irmã Bianca foi internada. No dia 12 os meus pais foram internados juntos. Todos faleceram em um intervalo de 15 dias", lamentou.

Sobre o destino, agora sem a família Clara deixa uma lição de perseverança, herança dos três pilares, que a Covid-19 e a irresponsabilidade de governo,  destruiram. "Meus pais e minha irmã me ensinaram tudo sobre a vida, principalmente o básico, como respeitar, amar os outros e a principalmente me amar e respeitar. Me ensinaram a conversar com Deus, ser paciente e cuidar dos meus. Hoje posso dizer que sou uma mulher muito forte e centrada, tudo ensinado por eles. Aqui eu continuo e sigo firme, pronta para encarar a vida e concluir meus objetivos profissionais e pessoais. Pra sempre eles estarão dentro de mim".

Bianca, Noelia e Manoel, com Maria Clara, no aniversário da matriarca da família
Foto: Arquivo pessoal
 

À MARIA CLARA MARANHÃO, aos parentes e amigos da família, nossos sinceros sentimos. O PIAUÍ chora com vocês.  A sua dor, Clara, dói em nós. Bianca, Noélia, Manoel... e as quase meio milhão de vidas perdidas para a Covid-19, nossas orações... e o pedido a JESUS CRISTO para que o BRASIL acorde! Não continue assistindo calado, indiferente a negação genocida e o vilipêndio dos mortos nesta "Pátria Amada" da insensibilidade e do interesse mesquinho, de um poder irresponsável que não nos representa. A Copa América vai ser no Brasil! Mais um mata-mata patrocinado pelo "capitão" de um time de paus mandados verde-amarelos.

Fonte: Redação

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