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Ciro Nogueira nega "racha" com Paulo Guedes após escândalo das offshores

Há rumores em Brasília de que a relação de Ciro Nogueira e Paulo Guedes "azedou”

Cartazes nas ruas de São Paulo sobre a offshore do ministro Paulo Guedes

Cartazes nas ruas de São Paulo sobre a offshore do ministro Paulo Guedes Foto: El País

O ministro-chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (PP-PI), nem teve tempo de comemorar a saída da deputada Margarete Coelho do governo Wellington Dias, rompimento anunciado pela própria deputada e confirmado pelo governador e pela irmão de Margarete, Sádia Castro, agora ex-secretária do Meio Ambiente. Rumores em Brasília dão conta de um "racha" na cúpula do governo Bolsonaro; que a relação de Ciro com Paulo Guedes “azedou”, depois do escândalo das offshores denunciado pelo Pandora Papers.

Ciro, que é presidente nacional do Progressistas, se apressou em desmentir o “boato”. “Tentaram fazer boatos que eu estaria contra ele, o que não é verdade. Ele mesmo desmentiu isso”, garantiu. 

Líder do “centrão”, Ciro Nogueira acrescentou: “temos um só governo, que é do presidente Bolsonaro, e ele conta com confiança do presidente. Então, me tem como um grande aliado pode ter certeza”.

O ministro nega qualquer racha no governo ou disputas internas no alto escalão da gestão de Bolsonaro. “O presidente não admite rachas ou disputas internas, principalmente de um ministro que coordena todas as outras pastas que é a Casa Civil”, frisou.

Ministro Ciro Nogueira discursa no bairro Promorar em Teresina
Foto: Facebook

A versão do dono da offshore

Durante um evento virtual promovido pelo Banco Itaú, Paulo Guedes falou pela primeira vez sobre a fortuna que mantém escondida em paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas, desde a revelação bombástica da investigação jornalística promovida pelo Pandora Papers, que o apontou como sócio de uma offshore. “Ela [a empresa] foi declarada, não houve movimento cruzando as fronteiras, trazendo dinheiro do exterior ou mandando dinheiro ao exterior”.

Os negócios da família, segundo Paulo Guedes, foram declarados à Receita Federal. “Perdi muito dinheiro estando aqui [no Ministério da Economia] exatamente para evitar problemas como esse. Tudo o que estava ao meu alcance de investimento eu vendi, tudo pelo valor de investimento. Eu perdi muito mais do que o valor da companhia que está declarado legalmente lá fora. É permitido, não fiz nada de errado”, jura. Guedes esteve à frente da administração da offshore de 2014 até dezembro de 2018, segundo a gestora de ativos Trident Trust.

Ministro da Economia, Paulo Guedes: explicações ao Congresso
Foto: Ministério da Economia

Convocação pela Câmara

Paulo Guedes decidiu quebrar o silêncio sobre a bolada no paraíso fiscal dois dias depois que Plenário da Câmara dos Deputados aprovou [por 310 votos a 142], a convocação dele para explicar o patrimônio estimado em 9,5 milhões de dólares [cerca de 52 milhões de reais, nos valores atuais] — ligado à offshore Dreadnoughts International Group — que o ministro mantém em sociedade com a esposa, Maria Cristina Bolivar Drummond, e uma filha.

Além de Guedes, também está na mira dos parlamentares o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, outro listado nas investigações conduzidas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em sua sigla em inglês).

Pandora Papares: a maior colaboração jornalística da história
Foto: dw.com
Pandora Papers 

A offshore de Paulo Guedes foi revelada pela investigação jornalística baseada em um grande vazamento de documentos confidenciais de 14 escritórios de advocacia especializados na abertura de empresas em países como Panamá, Ilhas Virgens Britânicas e Bahamas. São mais de cinco décadas de registros que permitem reconstruir quem, onde e para que foram criadas essas estruturas, dados que de outra forma não teriam se tornado públicos.

O vazamento de mais de 11,9 milhões de documentos confidenciais jogou luz sobre as fortunas secretas de algumas das pessoas mais influentes e conhecidas do mundo, como próprio Paulo Guedes, o "superministro" de Bolsonaro.

Os Pandora Papers, a maior colaboração jornalística da história, abriu as portas para o muno da indústria da offshore, empresas de fachada, com seus beneficiários ocultos e escritórios de advocacia poderosos.

Fonte: Paulo Pincel/El País

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