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Brasil tem 1.942 municípios com risco de desastre ambiental: são 47 cidades no Piauí

São 47 municípios piauienses em situação de risco, a maioria relacionado a enxurrada e inundação

Secretário da Defesa Civil, Nerinho, e equipe foram a Barras e Esperantina

Secretário da Defesa Civil, Nerinho, e equipe foram a Barras e Esperantina Foto: SEDEC

Com a intensificação das mudanças climáticas provocadas pela ação humana no meio ambiente, têm aumentado os desastres ambientais e climáticos em todo o mundo, a exemplo do que ocorre no Rio Grande do Sul. 


No Brasil, o governo federal mapeou 1.942 municípios suscetíveis a desastres associados a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações, o que representa quase 35% do total dos municípios brasileiros.

“O aumento na frequência e na intensidade dos eventos extremos de chuvas vêm criando um cenário desafiador para todos os países, em especial para aqueles em desenvolvimento e de grande extensão territorial, como o Brasil”, diz o estudo do governo federal.

No Piauí, são 47 cidades em situação de risco, a maioria relacionado a enxurrada e inundação. (Veja a lista abaixo). 

 
PIAUÍ - MUNICÍPIO - POPULAÇÃO - RISCO

Alto Longá 13.479 - Enxurrada Inundação
Altos 47.416 - Enxurrada Inundação
Amarante 17.235 - Inundação
Aroazes 5.369 - Inundação
Barras 47.938 - Enxurrada Inundação
Batalha 26.300 80 Enxurrada Inundação
Bom Jesus 28.799 - Enxurrada Inundação
Boqueirão do Piauí 6.545 124 Inundação
Buriti dos Lopes 19.654 1.902 Enxurrada Inundação
Cabeceiras do Piauí 10.212 - Enxurrada Inundação
Cajueiro da Praia 7.957 61 Enxurrada Inundação
Campo Maior 45.793 5.091 Enxurrada Inundação
Castelo do Piauí 19.288 - Enxurrada Inundação
Caxingó 5.496 242 Enxurrada Inundação
Cocal 28.212 - Enxurrada Inundação
Cristino Castro 10.503 975 Enxurrada Inundação
Domingos Mourão 4.075 - Enxurrada Inundação
Esperantina 40.970 3.466 Enxurrada Inundação
Floriano 62.036 3.937 Enxurrada Inundação
Ilha Grande 9.274 3.439 Enxurrada Inundação
Itainópolis 10.790 792 Deslizamento Enxurrada Inundação
Joaquim Pires 13.886 200 Enxurrada Inundação
Joca Marques 5.394 360 Enxurrada Inundação
José de Freitas 42.559 960 Deslizamento Enxurrada Inundação
Júlio Borges 5.388 - Inundação
Lagoa Alegre 8.256 500 Enxurrada Inundação
Luís Correia 30.641 - Enxurrada Inundação
Luzilândia 25.375 4.241 Enxurrada Inundação
Matias Olímpio 10.641 - Enxurrada Inundação
Miguel Alves 32.150 1.077 Enxurrada Inundação
Murici dos Portelas 9.004 552 Inundação
Palmeirais 13.263 879 Deslizamento Enxurrada Inundação
Parnaíba 162.159 3.201 Enxurrada Inundação
Picos 83.090 4.120 Deslizamento Enxurrada Inundação
Piracuruca 28.453 1.806 Enxurrada Inundação
Piripiri 65.450 - Enxurrada Inundação
Porto 12.052 1.822 Enxurrada Inundação
Queimada Nova 8.738 - Enxurrada Inundação
Santa Cruz dos Milagres 3.435 174 Enxurrada Inundação
São Braz do Piauí 4.358 - Inundação
São José do Divino 4.841 389 Enxurrada Inundação
São Miguel do Tapuio 17.554 - Enxurrada Inundação
São Raimundo Nonato 38.934 720 Enxurrada Inundação
Sigefredo Pacheco 9.460 - Enxurrada Inundação
Teresina 866.300 26.773 Deslizamento Enxurrada Inundação
União 46.119 2.016 Deslizamento Enxurrada Inundação
Uruçuí 25.203 983 Deslizamento Inundação.

Confira se seu município está na lista na NOTA TÉCNICA DA CASA CIVIL!




As áreas dentro dessas 1,9 mil cidades consideradas em risco concentram mais de 8,9 milhões de brasileiros, o que representa 6% da população nacional.


O levantamento publicado em abril deste ano refez a metodologia até então adotada, adicionando mais critérios e novas bases de dados, o que ampliou em 136% o número dos municípios considerados suscetíveis a desastres. Em 2012, o governo havia mapeado 821 cidades em risco desse tipo.


Com os novos dados, sistematizados até 2022, os estados com a maior proporção da população em áreas de risco são Bahia (17,3%), Espírito Santo (13,8%), Pernambuco (11,6%), Minas Gerais (10,6%) e Acre (9,7%). Já as unidades da federação com a população mais protegida contra desastres são Distrito Federal (0,1%); Goiás (0,2%), Mato Grosso (0,3%) e Paraná (1%).


O estudo foi coordenado pela Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento, ligada à Casa Civil da Presidência da República. O levantamento foi solicitado pelo governo em razão das obras previstas para o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê investimentos em infraestrutura em todo o país.


Municípios em risco de desastre ambiental  (2012 e 2022)
Arte/Agência Brasil


Populações pobres


As populações pobres são as mais prováveis de sofrerem com os desastres ambientais no Brasil, de acordo com a nota técnica do estudo.


“A urbanização rápida e muitas vezes desordenada, assim como a segregação sócio-territorial, têm levado as populações mais carentes a ocuparem locais inadequados, sujeitos a inundações, deslizamentos de terra e outras ameaças correlatas. Essas áreas são habitadas, de forma geral, por comunidades de baixa renda e que têm poucos recursos para se adaptarem ou se recuperarem dos impactos desses eventos, tornando-as mais vulneráveis a tais processos”, aponta o documento.


O levantamento ainda identificou os desastres ambientais no Brasil entre 1991 e 2022, quando foram registrados 23.611 eventos, 3.890 óbitos e 8,2 milhões de desalojados ou desabrigados decorrentes de inundações, enxurradas e deslizamentos de terra.





Recomendações


A nota técnica do estudo faz uma série de recomendações ao Poder Público para minimizar os danos dos desastres futuros, como a ampliação do monitoramento e sistemas de alertas para risco relativos a inundações, a atualização anual desses dados e a divulgação dessas informações para todas as instituições e órgãos que podem lidar com o tema.  


“É fundamental promover ações governamentais coordenadas voltadas à gestão de riscos e prevenção de desastres”, diz o estudo, acrescentando que o Novo PAC pode ser uma oportunidade para melhorar a gestão de riscos e desastres no Brasil.


“[A nota técnica deve] subsidiar as listas dos municípios elegíveis para as seleções do Novo PAC em prevenção de risco: contenção de encostas, macrodrenagem, barragens de regularização de vazões e controle de cheias, e intervenções em cursos d’água”.

Fonte: Agência Brasil

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