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Assassino de Iarla Barbosa é condenado a 37 anos e 4 meses de prisão

A universitária foi executada com vários tiros de pistola por Ricardo Neto

Ricardo Neto, o assassino, e Irala Lima, a vítima

Ricardo Neto, o assassino, e Irala Lima, a vítima Foto: Reprodução

Matéria postada às 6h14

O Tribunal do Júri  de Teresina condenou o ex-tenente do Exército, José Ricardo da Silva Neto,  a 37 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da estudante de arquitetura Iarla Lima Barbosa, na madrugada do dia 19 de junho de 2017. Ricardo também foi condenado por tentativa de duplo homicídio contra Ilana Lima, irmã de Iarla, e Joseane Mesquita, amiga de Iarla e Ilana, que estavam no carro do acusado no momento do crime.

A sessão do Tribunal do Júri durou mais de 19 horas. A sentença foi anunciada pelo pelo juiz Antônio dos Reis Noleto, da 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina, por volta das 4h desta quinta-feira (25).

LIVRE EM RECIFE - José Ricardo da Silva Neto participou do julgamento por videoconferência. O militar perdeu a patente em agosto de 2017. O ex-tenente mora em Recife (PE). A prisão de Ricardo Neto foi revogada por uma decisão assinada pelo juiz Antônio Reis de Jesus Nollêto, da 1º Vara do Tribunal do Júri, em 2 de fevereiro de 2018, sete meses depois do crime. De acordo com a decisão, o tenente não cumpria os requisitos legais para continuar preso. O acusado, segundo o juiz, não respondia a nenhuma ação penal, caracterizando-se como réu primário. O Tribunal de Justiça do Piauí, porém, decretou a prisão preventiva do acusado em janeiro de 2019. O desembargador Joaquim Santana determinou que o mandado fosse cumprido em Recife. Mas uma decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus ao ex-tenente do Exército, em maio de 2019. Votaram com o ministro Ribeiro Dantas, relator do processo, os  ministros Joel Ilan Paciornik, Felix Fischer e Reynaldo Soares da Fonseca. Só o ministro Jorge Mussi não estava presente.

A família e amigos de Iarla permaneceram em frente ao Fórum, protestando e cobrando pena máxima para o assassino da universitária, executada com vários tiros de pistola, sem nenhuma chance de defesa e por motivo fútil.

As irmãs Iarla e Ilana Lima
Foto: Arquivo pessoal


EXECUÇÃO SUMÁRIA - Iarla Lima foi executada com quatro tiros na madrugada de 19 de junho de 2017, depois de  sair de um bar na Avenida Nossa Senhora de Fátima, na zona Leste. Ricardo teria ficado com ciúme de Iarla e atirou várias vezes contra a namorada após uma discussão. Iarla morreu com tiros no rosto e abdomên no banco do carona. A irmã de Irla e uma amiga também foram atingidas por disparos, mas conseguiram fugir e pedir ajuda.  Ilana foi atingida de raspão na cabeça e Joseane no braço e no peito.

"Estávamos eu, ela, uma amiga,  ele e outros dois amigos dele. Passamos a noite dançando entre nós. Uma hora a Iarla chamou para ir embora porque o Neto estava passando mal. Os dois saíram de mãos dadas, se beijando, como um casal normal. Mas chegando no carro ele começou a brigar com ela, dizendo que ela tinha dançado com outros. Em seguida ele puxou a arma e atirou três vezes contra ela e depois para trás, onde estávamos eu e nossa amiga".

"Quando ele atirou na gente, saí do carro correndo e pedindo socorro. Ele deu a ré e arrancou com o carro levando minha irmã com ele. Foi tudo muito rápido, nem senti que havia sido ferida. Só gritava para que achassem a Iarla", lembrou, durante o depoimento "Foi tudo muito rápido, ela nunca imaginava passar por aquilo. Tanto que ela se assustou quando ele apontou a arma para ela e pediu, 'Não faz isso, por favor. Não faz isso Silva Neto'".

As duas sobreviveram aos ferimentos, mas carregam "sequelas psicológicas" do crime.

COMA ALCÓLICO - "Depois que minha irmã morreu meu pai passou a beber todos os dias e foi a óbito por coma alcoólico. Ele nem dormia mais no quarto, deitava no sofá da sala, onde tinha uma foto dela que ele ficava olhando. Eu tentava mostrar para a gente ter força para continuar, mas ele desistiu de viver", contou Ilana Lima.

Ilana carrega o trauma da tragédia até hoje. "Não consigo entrar em um restaurante e viver um momento de estar com meus amigos de boa. Fico observando as pessoas o tempo todo, se alguém está armado. Não tenho mais vida, não consigo mais sair de casa. Desconfio das pessoas, espero a parte ruim de todo mundo. Tenho medo das pessoas, só consigo ver o pior", revelou Ilana.

As irmãs Iarla e Ilana Lima
Foto: Arquivo pessoal

Fonte: Redação

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